Trilha dos Túneis: 7 km por uma ferrovia abandonada em Gravatá
Por Isaías Christian · 2026-03-21
Oito túneis, quatro pontes e a travessia da Ponte Cascavel. O traçado de uma antiga linha férrea no agreste pernambucano virou uma das trilhas mais procuradas do Nordeste.
Existe um tipo de trilha em que a paisagem é natural, mas o caminho é uma obra humana esquecida. A Trilha dos Túneis, em Gravatá, no agreste de Pernambuco, é o exemplo mais evidente disso no Nordeste.
O percurso segue o traçado de uma antiga linha férrea desativada. Os trilhos saíram, o mato tomou parte do leito, mas a engenharia continua lá: túneis escavados na rocha, pontes metálicas sobre vales e o corte contínuo que a ferrovia abriu na paisagem.
Oito túneis e quatro pontes
São aproximadamente 7 quilômetros de caminhada, atravessando 8 túneis e 4 pontes. Por seguir leito de ferrovia, o traçado é notavelmente plano, porque trem não sobe ladeira. Isso torna a trilha acessível para quem não tem grande preparo físico, apesar da quilometragem.
Os túneis são o que dá caráter ao passeio. Alguns são curtos e atravessados em poucos segundos; outros são longos o bastante para que o escuro fique completo no meio, com a saída aparecendo como um ponto de luz ao fundo. Lanterna é item obrigatório, e lanterna de cabeça funciona melhor que celular, porque deixa as mãos livres.
Dentro deles a temperatura cai de forma perceptível, e há morcegos, inofensivos, mas vale saber antes para não levar susto.

A Ponte Cascavel
O ponto alto do percurso é a Ponte Cascavel, a maior estrutura do trajeto. Atravessá-la a pé, com o vale aberto embaixo, é a imagem que a maioria das pessoas leva do dia.
É também onde ficam as atividades opcionais: rapel e rope jump, o salto pendular a partir da própria ponte. As duas são conduzidas por instrutores com equipamento próprio, e ninguém é obrigado a nada. Boa parte do grupo assiste, e assistir também é programa.
Para quem topa, o rope jump da Cascavel costuma ser descrito depois como o momento mais intenso do ano.
O que saber antes de ir
Nível: classificado como moderado, mais pela distância e pela exposição ao sol do que pelo relevo. O terreno é plano quase todo o tempo.
Lanterna: repetimos porque é o item que mais some da mochila das pessoas. Sem ela, os túneis longos ficam desconfortáveis.
Calçado: tênis fechado com solado firme. O leito da ferrovia tem brita solta em vários trechos, que rola sob o pé.
Sol: entre um túnel e outro não há sombra. Boné, protetor e camisa de manga longa resolvem.
Água: mínimo 1,5 litro. Não há ponto de reabastecimento ao longo da trilha.
Por que o passeio funciona tão bem
A Trilha dos Túneis ocupa um espaço raro: entrega cenário forte e sensação de aventura sem exigir preparo físico de trilheiro. Uma pessoa que nunca caminhou 7 km na vida termina o percurso: cansada, mas termina.
Some-se a isso o componente histórico. Percorrer uma ferrovia que deixou de operar e foi engolida pelo mato tem algo de sítio arqueológico recente, e é um tipo de paisagem que não se encontra em passeio de cachoeira.
Como é a operação
A saída é de Maceió ainda de madrugada, com atividades em Gravatá ao longo do dia e retorno à capital no fim da noite. É um bate-volta longo, então vale saber que o dia começa cedo e termina tarde.
O roteiro inclui transporte, guia de turismo credenciado, condutor local, Seguro Aventura e cobertura fotográfica. Rapel e rope jump são pagos à parte, no local, para quem decidir fazer.
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