Vale do Catimbau: o segundo maior sítio arqueológico do Brasil fica no sertão de Pernambuco

Por Isaías Christian · 2026-06-14

Vale do Catimbau: o segundo maior sítio arqueológico do Brasil fica no sertão de Pernambuco

Em Buíque, a 300 km do Recife, cânions de arenito guardam pinturas rupestres com milhares de anos. Como é percorrer o Catimbau em dois dias.

Há um dado sobre o Vale do Catimbau que costuma surpreender até quem viaja bastante pelo Nordeste: ele abriga o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, atrás apenas da Serra da Capivara, no Piauí. E fica em Buíque, no agreste de Pernambuco.

O que se vê ali é o resultado de milhões de anos de erosão sobre arenito, criando cânions, torres de pedra e paredões que serviram de abrigo, e de tela, para populações que ocuparam a região muito antes de qualquer registro escrito.

Um museu que não tem paredes

As pinturas rupestres do Catimbau estão distribuídas por dezenas de sítios ao longo do vale, em paredões e sob abrigos rochosos. São figuras humanas, animais e grafismos geométricos, feitos com pigmento mineral, que sobreviveram porque a rocha os protegeu de chuva e sol direto.

Ver uma dessas pinturas de perto produz um efeito difícil de antecipar. Não é a beleza da figura, já que muitas são simples. É a percepção de escala de tempo: alguém parou naquele exato ponto, há milhares de anos, e decidiu deixar um registro. O paredão continua ali; a pessoa, não.

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Os atrativos do vale

O roteiro de dois dias percorre os principais pontos da região.

O Santuário e a Loca das Cinzas concentram alguns dos conjuntos de pintura mais preservados. A Caverna de Jerusalém é uma formação de arenito com aberturas naturais no teto por onde a luz entra em feixes, de longe o cenário mais fotografado do vale. A Igrejinha deve o nome ao formato da rocha, que lembra uma nave. E a Trilha das Torres e Lapiais fecha o primeiro dia atravessando um campo de formações verticais, com o pôr do sol batendo de lado nas paredes de arenito, o momento em que a rocha fica vermelha.

Há ainda a visita às casas de farinha da região, que mostram o outro lado do vale: não o arqueológico, mas o de quem vive ali hoje.

Como é a caminhada

O Catimbau é classificado como de dificuldade moderada superior no nosso quadro. Não há um único trecho brutal; o que pesa é a soma: são vários percursos ao longo de dois dias, sob sol de sertão e com pouca sombra.

O calor é o fator que mais surpreende quem vai. O vale é seco, a rocha reflete luz e o ar é rarefeito de umidade. Água em quantidade não é conselho: é equipamento.

A noite no vale

Entre os dois dias há uma pausa que costuma virar a memória mais forte da viagem. Depois do jantar, na pousada, o grupo faz um luau de integração, com fogueira, voz e violão. Sem estrutura de show, sem programação. Só o céu do sertão, que naquela latitude e com aquela ausência de luz urbana entrega uma quantidade de estrelas que assusta quem mora em cidade grande.

O que saber antes de ir

Época: o vale é visitável o ano todo. Entre outubro e março o calor é mais severo; nos meses secos, as manhãs chegam a ser frias, o que ajuda muito nas caminhadas.

O que levar: boné ou chapéu de aba larga, protetor solar de sobra, camisa de manga longa leve (protege mais que passar creme o dia inteiro), calçado fechado com solado firme para pisar em rocha, e no mínimo 2 litros de água por dia.

Sobre as pinturas: não se toca. O óleo da pele degrada o pigmento, e o dano é permanente. A regra vale para todo sítio rupestre do país, e é ela que mantém o Catimbau visitável.

Como é o roteiro da Camaleão

A saída é de Maceió, de madrugada, com chegada ao vale no meio da manhã do primeiro dia. Os dois dias são conduzidos por guia de turismo credenciado e guia local. No Catimbau, a condução local é obrigatória por norma da unidade de conservação, e por bom motivo: é quem sabe quais sítios estão abertos à visitação e quais não estão.

Hospedagem, refeições, Seguro Aventura e cobertura fotográfica entram no roteiro. O retorno a Maceió é no fim do domingo.

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